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Ebook Pornopopéia by Reinaldo Moraes read! Book Title: Pornopopéia
The author of the book: Reinaldo Moraes
ISBN: No data
ISBN 13: No data
Language: English
Edition: Ponto de Leitura
Date of issue: 2011
Format files: PDF
The size of the: 3.34 MB
City - Country: No data
Loaded: 1793 times
Reader ratings: 5.9

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AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!! NÃO POSSO!!!! AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! Creio ter sido essa a oração exclamativa que mais utilizei ao ler esta formidável saga porno-trágico-cómica ou trágico-porno-cómica ou comédia-trágico-pornográfica, com aspirações a epopeia hilariante escrita no mais absoluto e quase obsceno, se não fosse tão divertido, vernáculo próprio da linguagem produzida pela pátria amada, idolatrada, salve, salve!!

É um livro que nos proporciona puro entretenimento, ri tanto de ir às lágrimas na maior parte dos capítulos, todos eles estruturados de forma cinematográfica, tamanho é o ensejo gráfico que o autor, brilhante na prosa, revela. A obra é um delírio poético-porno-literário em que, utilizando o meu brasileirês mais prosaico “só dá sacanagem” mas atenção, da mais alta qualidade!

José Carlos Ribeiro, Zeca para os íntimos, é um cineasta – se é que se pode utilizar este predicativo do sujeito na personagem – falhado que, depois de se aventurar na realização de filmes pornográficos acaba, aos 42 anos de idade, a produzir “vídeos institucionais”, isto é, publicitários na Khemer, VideoFilmes, de sua propriedade e de onde vai retirando os parcos rendimentos que necessita para poder dar largas àquilo que na vida é fundamental: droga, mulheres e álcool. Não necessariamente por essa ordem, claro está! A história começa com Zeca a tentar “bolar” um vídeo institucional sobre embutidos de frango da Granja Itaquarembu mas sem qualquer resultado prático, embora hilariante nas suas tentativas e expectativas! A partir daí, a sua vida torna-se num frenesim absolutamente descomunal e expiatório das suas maiores torpezas ou, se quisermos, bemaventuranças. Como tudo, depende do ponto de vista de cada um!

A cena do Templo do Divino Zebuh Bhagadhagadhoga é um monumento à capacidade que um autor tem de nos fazer rir à dor de barriga! Contudo, o episódio do surubrâmane é “da pesada” e apenas almas mais liberais, lives de preconceitos sexuais ou sexuados ou sexualizados poderão “abrir mão” da hilaridade contextualizada e sincronizada numa experiência surúmbica do undergraudi panelinha (como Moraes, também tenho a minha lavra de neologismos inimagináveis que, aliás, pululam com enorme hilaridade neste universo pornopopaico).

Depois vem o crime que nunca falta numa história de sexo. O desgraçado do realizador falhado – apenas produziu um filme, ”Holisticofrenia” que, pelos relatos do próprio, deve consistir numa alucinogénia abordagem anárquico-realista mas, fator importantíssimo, premiado internacionalmente num desses festivais de cinema que nunca ninguém ouviu falar organizado por um país qualquer marginal da América do Sul – vê-se enredado numa perseguição policial à mais obscura máfia paulista e as consequências serão para si terríveis, apenas porque estava no lugar errado à hora errada. Ou seja, a comprar cocaína a um traficante que foi apanhado por uma bala perdida. Danou-se ou, como diria Moraes, Quipariu!! A partir daí, se a sua vida já era uma complicação só, tornou-se num pesadelo kafkaniano que só o “laissez-faire, laissez-passer" da personagem não se transforma em drama apocalítico.

E o que dizer das restantes personagens? Cada uma mais inverosímil que a outra, isso para aqueles que nunca usufruíram da camaradagem de prostitutas, bêbados, transexuais - por falar em transexuais, há um notável na caracterização: Lolla Bertoludzy cuja participação comemora mais um momento inolvidável da narrativa.

Não há um segundo de paz e tranquilidade na vida de Zeca: desde a mulher, que volta e vira fá-lo (hummmm este verbo conjugado com o pronome fez-me relembrar vários momentos da narrativa) tomar consciência de que tem um filho, Pedrinho, desde a reclusão em Porangatuba, cidade ladeada por Ubatuba no norte do estado de São Paulo, desde a PM no seu encalço já que fora acusado de homicídio, desde não conseguir afrouxar os desejos de uma líbido sempre em grande ebulição, desde as mentiras que constrói para salvar a face, ou o pelo, tudo isso regado por uma prosa muitas vezes metafórica absolutamente genial, fazem deste livro leitura obrigatória para quem gosta de rir, despreconceituosamente, a bom rir!

Não resisto em transcrever um parágrafo que nos ajuda a compreender a surpreendente idiossincrasia da personagem, José Carlos Ribeiro de seu nome:

“Cato o ‘Poesias Inéditas’, do Pessoa debaixo do abaulado que a minha bunda faz na rede. Está aberto na página que eu lia ontem antes de pegar no sono. Dou de cara com um poema assinalado a caneta com letras garrafais: DU CARALHO!!! Tem uns versos que dizem: ‘Boa é a vida mas é melhor o vinho. O amor é bom mas é melhor o sono’. Aquela rabiscaiada só pode ser coisa do Nissim em efusão poética deflagrada por alguma infusão etílica. Ele adora o Fernando Pessoa, o Nissa, em quem só vê um defeito: não ter nascido em Minas Gerais. A vida, o vinho, o amor e o sono. Tá tudo aí. Eu só trocaria o amor pelo sexo, e incluiria um fuminho e um pó. Vou sugerir isso ao seu Pessoa quando o encontrar”.

Se quisermos, também poderemos filosofar sobre essa saga atual que é o egoísmo masculino no século 21 mas não me apetece entrar por aí. Acho que seria levar muito a sério algo que já sabemos existir e digo isso sem qualquer preconceito apenas constato um facto de que este livro é exempo. O melhor é assimilarmos esta leitura na desportiva, comprazendo-nos apenas com a boa disposição que nos traz!

Como gosto de dizer … ler para crer!


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